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Mensagens

A mostrar mensagens de março, 2020

Do Big Brother à decadência das elites

O  Big Brother  faz 20 anos e a TVI resolveu celebrar a data com uma nova edição do programa. Dizem os especialistas que o  Big Brother  revolucionou a televisão. Revolucionou é a palavra. Das revoluções não se pode esperar nada de bom. Seguro é que nestes 20 anos o  Big Brother  fez escola. O país, esse, perdeu o escol. Vamos nós primeiro ao que fez escola e depois ao escol, já que muito escol preferiu ir pouco à escola. O  Big Brother  inaugurou um género televisivo onde as massas ganharam protagonismo. Os modos de falar, as mundividências – e já agora a ausência de mundo e de vidências também –, as egomanias e as artificialidades e sobretudo as emoções dos homens e das mulheres comuns ganharam palco. E os que estavam em casa, entre os que se reviram e os que se reviraram, identificaram-se por simpatia ou por rejeição. Neste caminho, o que a televisão – então o alfa e o omega da comunicação social, depois que o  video killed the radi...

Diário Corona - Dia 6

Dia 6 Hoje é um dia triste. O que deste ermitério consigo ver lá para a frente assemelha-se mais ou menos a um quadro do Bosch. Por isso comprei flores. Antes da barbárie, que as tentações anunciam e as circunstâncias facilitam, quis homenagear a civilização e contemplar o belo. #DiarioCorona

Diário Corona - Dia 5

Dia 5 O desenvolvimento tecnológico, a internet, as redes sociais e a banda larga são extraordinários. Informam, permitem trabalhar, permitem o contacto com quem amamos e está distante, permitem rir no meio do medo, permitem organizar e promover a solidariedade, permitem entreter, permitem rezar... Nunca esta geração enfrentou uma crise tão violenta como esta. Nunca qualquer outra geração enfrentou uma crise com tanto conforto como esta. #DiarioCorona

Diário Corona - Dia 4

Dia 4 Ontem foi Domingo (Dia 3) e reparo que não houve relato. Foi o 3º Domingo da Quaresma. Não fui à missa, apesar da missa ter vindo até mim. A resposta que a Igreja Católica está a dar a esta crise, em plena Quaresma, é inspiradora. Ainda ontem anunciaram que o Sr. Presidente da República ia fazer uma comunicação ao país, mas não sei o que aconteceu nas redes, alguma interferência qualquer, e apareceu um tal Sr. Marcelo a falar para a família. Hoje o Diogo3 esteve mais tranquilo e nós trabalhámos melhor. Não há nada de engraçado para dizer sobre isto. Apesar das imensas piadas sobre o convívio familiar forçado que correm pela net. Hoje só esperança.

Diário Corona - Dia 1

Dia 1 Toda a gente em casa(s); estamos em mais que uma. A trabalhar, a estudar, a ler, a jogar, a ver televisão. E o Diogo3 à solta. A meio do dia pensei se o Covid19 não seria mais fácil de controlar. Para já, fico com o Diogo3. #DiarioCorona

De quarentena na Quaresma

Quero começar por fazer aqui um elogio público à lucidez do Sr. Primeiro-Ministro. Há poucas horas – a unidade de medida adequada – veio apelar que o povo português confiasse nas autoridades da saúde. O SNS está repleto de funcionários públicos extraordinários, de grande abnegação, imensa competência, elevada resiliência e diga-se, porque não é dizer pouco a meio de uma  pandemia  com contornos ainda mal definidos, extrema coragem pessoal. Este é, no que importa mais imediatamente, um caso de Saúde Pública. E nada melhor que nos entregarmos nas mãos de quem sabe. Isto porque estamos em tempo de excepção, já que o efeito desta situação, do ponto de vista das liberdades, merecerá, no fim, um outro debate importante. Mas isso, e a economia, terá de ficar para depois. Sendo, porém, Portugal, um país onde tudo tem tutela estatal, este é também, inexoravelmente, um caso de gestão política. O nosso habitual elo mais fraco. Vejamos, então, se as Autoridades da Saúde têm as melhor...

O fraco Homem faz forte o fraco Estado

1 O Homem Português desistiu de viver.  Matem-me, que isto não é vida! , gritou. Paz à sua alma. No passado dia 20 o parlamento aprovou cinco projectos-lei visando legalizar a eutanásia. Muitos dos opositores apressaram-se a dizer que os deputados não estavam mandatados para tomar esta decisão, e que a mesma estava a ser tomada nas costas dos portugueses. Têm razão. A decisão foi tomada nas costas dos portugueses, mas pelo menos cumpriu a última vontade do Homem Português. 2 Francisco Lucas Pires, de cognome  O Liberal , é muitas vezes recordado pela célebre afirmação de que  ao princípio não era o Estado mas o Homem. É esta uma verdade em função da qual será o Estado a ter de se humanizar – não o Homem quem tem de se estadualizar.  Dificilmente 2020 o poderia ter contrariado de forma mais cruel, qual O’Brien a Winston Smith em 1984. O Homem Português quando nasce fica a saber que só pode ter, no máximo, dois nomes próprios e quatro apelidos, mas que está ob...

A direita, entre cosmos e taxis [Parte II: os fins]

Na primeira parte deste artigo vimos por que razão os partidos de direita deveriam recusar ser palcos de guerras culturais, evitar tentações ideológicas e procurar alinhar-se com o espírito do tempo presente. Em síntese, os partidos de direita, mais do que procurarem a imposição de um outro quadro de valores, alternativo ao da esquerda, deverão ter a sua acção assente na defesa da liberdade de cada pessoa viver como quiser. Sabemos como nestes tempos esta posição tem sido acusada por muitos de relativismo moral, mas tal não só é ignominioso, como é profundamente enganador. Querer forçar, em nome de um projecto  by design  – de tipo  taxis , voltando a Hayek – a sociedade a ser de determinada maneira costuma resultar em catástrofe. Oakeshott, insuspeito de esquerdismo, dizia que a conjugação de normatividade e idealismo redunda em tirania. Talvez valha reconhecer que a humanidade nunca viveu tão bem como agora, nunca atingiu níveis generalizados de conforto tão elevad...