“Ninguém se salva sozinho”, disse há poucos dias um velho doente, à chuva, sozinho, quando a noite caía sobre uma invulgarmente vazia Praça de São Pedro. Uma imagem pungente que confirma o que desde tempos imemoriais a Humanidade sabe: que “não é conveniente que o homem esteja só” (Gn 2,18). O velho na praça é o Santo Padre Francisco. Hoje, entretanto, passam 15 anos sobre a morte de um outro homem, de um outro velho, que também muito ensinou ao mundo e que vale a pena relembrar: São João Paulo II. Quis o acaso – e o Covid19 – que o mundo vivesse este ano a Quaresma numa agrura há muito não experimentada pelo Ocidente, em quarentena forçada “dentro de casa”. Porém, quando hoje o mundo vive em pânico e se fecha sobre si – as famílias em sua casa e os países nas suas fronteiras – por causa de uma ameaça global à saúde pública “as decisões (…) não pode[m] deixar de abranger as imensas multidões de famintos, de mendigos, sem-tecto, sem assistência médica e, sobretudo, sem esperança num ...
Dezembro 2020? Enquanto durou a crise do Covid19, ninguém se queixava de outras doenças, pois se alguma se manifestava, logo evoluía para aquela. Nenhuma compleição foi por si mesma capaz de resistir ao mal, fosse ela forte ou fraca; ele atingiu a todos sem distinção, mesmo àqueles cercados de todos os cuidados médicos. Havia também o problema do contágio, que ocorria através dos cuidados de uns doentes para com os outros, e os matava como a um rebanho. O que acabou de ler não é um exercício futurista e apocalíptico sobre o que se passará nos próximos meses a propósito desta pandemia que nos assola. O que acabou de ler, com excepção da referência ao Covid19, é, na verdade, a descrição que Tucídides, há mais de 2.500 anos, fez, na História da Guerra do Peloponeso , da peste que assolou Atenas. Nada disto é novo, nada disto é final. Semana passada? Quando a crise começou, a ideia era tratá-la com desdém. Toda a gente continuou a sua vida profissional e privada. Os teatros...